15 de dezembro de 2007

Encontros com gentes de outro tempo.

Seguía pela rua velha, cantarolando baixinho a sua melodia preferida.
- Ah.. Olá! Há tanto tempo que não te via. Está tudo a correr bem?
-Sim, e contigo?
-Também.
- [Silêncio.]
-Bem, então adeus!
- Adeus!

Mudou de melodia e continuou o seu caminho...
- Olá!
- Olá! Estás boa?
- Sim, e tu?
- Também! Estás tão gira!
- Oh..
- [Silêncio.]
- Então adeus.
- Adeus.

Seguiu em frente, mas desta vez sem qualquer melodia a sair-lhe por entre os dentes. As palavras congelaram, com tanto frio.

As conversas que antes eram tudo, tornaram-se em quase nada. As palavras somem-se das bocas. Não há movimento, não há som. O que há é apenas um silêncio embaraçante, um total congelar.
As gentes mudaram.
As melodias acabaram.
As conversas, essas, são agora sempre as mesmas.



Tenho pena que assim seja.

4 comentários:

Cabelos Dourados disse...

sabemos sempre, no fundo que caminhamos para isso, mas nunca fazemos nada para alterar. E quando acontece, pouco retorno tem e isso sim, isso d�i.

Marta disse...

Faz por isso. Obriga os outros a continuarem os mesmo, sendo tu a mesma também.*

Stranger. disse...

é mau. mas se é realmente importante, não podemos deixar fugir.
a mudança está sempre a acontecer. nós, temos que nos adaptar.


[tenho tanto sono *]

.inês disse...

se calhar é porque as pessoas pensam que já não se conhecem e, por isso mesmo, retraem-se. são conversas de circunstância, não são? como se falar já não servisse para nos descobrirmos uns aos outros (e uns nos outros), mas apenas para sermos cordiais com quem, afinal, conhecemos noutros dias.

e isso é uma treta.

bom ano (:

*